domingo, 24 de março de 2013

A MINHA HISTÓRIA DE VIDA!!! PELOS CAMINHOS DO RIBATEJO!!!



LÍDIA FRADE





Nasci numa pequenina aldeia de nome Ponte do Celeiro na Freguesia de Almoster Conselho de Santarém.
Foi aí que passei a minha infância onde fiz a minha escolaridade, e comecei a trabalhar par ajudar a minha mãe, a regar as hortas, apanhar comida para o gado de toda a espécie que se criava na fazenda, a guardar os perus  pelas terras para a mãe vender no Natal, ou as ovelhas trazendo de regresso a casa algum cordeirinho que nascia no pasto, ou a cuidar das minhas irmãs, pois sou a mais velha de cinco.
 Foi aí que vivi até aos treze anos, altura em que o meu pai achou que eu já estava crescida suficiente para me por num comercio de venda de frutas e verduras, trabalho que durou pouco por ser mal organizado.
Acabado o negocio de frutas e legumes, mesmo sem dizer nada a ninguém ganhei coragem e fui percorrer todos os cabeleireiros de Santarém para ver se conseguia ir aprender a cabeleireira, levei um não de todos eles não precisavam de aprendizas, era muito difícil  e ainda tinha de ser com pedidos e conhecimentos, coisa que eu nem imaginava.
A minha mãe resolveu pôr-me a aprender costura, foi falar com umas senhoras conhecidas e fui para lá aprender durante uns meses.
Chegou a época da apanha do tomate, mudamos de casa e fui trabalhar com a minha mãe para a apanha do tomate, é aí que eu considero o meu primeiro trabalho, fui ganhar 15$00 por dia, menos três do que as mulheres adultas, trabalhei no campo até casar com dezoito anos.
Entretanto comecei a namorar com dezasseis anos, conheci o namorado e mais tarde marido nos bailes, era dos poucos divertimentos a que os jovens da província tinham aceso e de muita importância, bailes e festas de arraial na província.
Casei a 10 de Dezembro de 1967, vim para Lisboa passar a minha lua de mel, fomos ao Parque Mayer ver uma revista, com os bilhetes oferecidos pelo padrinho do noivo, arranjei trabalho para um armazém que confeções de crianças, fazia cuecas de plástico com rendinhas e folhinhos, em tricô de nylon, para poder trabalhar comprei uma maquina de costura velha, adaptei para fazer zig zag, e cozi tanto nela, até cair o pedal de ferro para o chão gasto de tanto trabalhar.
Entretanto o meu marido foi chamado para a tropa, ao fim de ano e meio foi mobilizado para a guerra, e foi para a Guiné quase dois anos.
Quando ele partiu, eu voltei de novo para a aldeia morar com os meus sogros, continuei a trabalhar em casa a fazer costura, fui arranjando clientes e miúdas que eu ensinava e me ajudavam no trabalho.
O marido enquanto estava na Guiné veio passar as férias a casa, as saudades eram muitas, mas era só um mês que passou depressa, ele foi-se embora e eu descobri depois que estava gravida, fiquei feliz, a criança iria nascer quando o pai regressa-se com o tempo cumprido.
Mas não foi assim precisamente, quando tinha quatro meses de gravidez fui fazer uma consulta com o médico que me estava a acompanhar, disse estar tudo bem, mas nessa noite quando acordei estava a perder muito sangue, levaram-me ao hospital, era princípio de aborto.
Fiquei internada, a criança tinha-se deslocado mas estava viva, fiquei até ao oitavo mês no hospital para segurar a criança, o correio do pai passou a ir directo ao hospital.
Cheguei ao oitavo mês, e estava a soro dia e noite, num dia como todos os vividos dentro de um hospital, chegou o correio, vinha um telegrama, li e dizia que, meu marido embarcava de regresso nesse próprio dia, chegaria dai a seis dias.
Foi tal a comoção que, naquele mesmo instante a criança deu um empurrão para nascer, gritei que me acudissem, levaram-me para a sala de partos e a criança nasceu, era uma menina, só sobe naquele momento, pois na época ainda não era possível ver o sexo das crianças.
Nasceu apenas com 1,150 kg com dificuldade em respirar, meteram-lhe oxigénio e não cabiam os tubos, foi logo de ambulância para a  Maternidade Alfredo da Costa para incubadora, coisa que não havia em Santarém.
Passados dois dias a médica foi dar-me alta, mas disse para eu passar no gabinete dela antes de sair, assim fiz, e era só para me dizer que teria de ir registar a menina e depois levar a cédula para Lisboa para fazerem o funeral que a menina tinha morrido.
Foi registada com o nome de Solange Marina, nome que eu adorava.
Chorei muito, depois de tanto sacrifício não tinha servido para nada, a menina nascera e teria de fazer o funeral sem o pai a ver, e teve de ser mesmo, não havia nada mais a fazer.
 Eu não conseguia andar, tinha estado quatro meses deitada para segurar a minha gravidez, as articulações não tinham movimento, era dores horríveis mas tinha de ser, fui ao quartel receber o dinheiro da minha sobrevivência, e fui para Lisboa no dia seguinte fazer o funeral da minha filha, fui apenas eu, uma das minhas irmãs e meu pai, foi ele que fez o contrato do funeral, eu só entrei na morgue para fazer o reconhecimento da minha filha, depois de ter entregue a roupa para ser vestida.
Fiquei em Lisboa de pois do funeral, faltava dois dias para o marido chegar, o Niassa atracou no cais da Rocha do Conde de Óbidos, esperei o desembarque, quando o marido chegou junto da família, lá estava eu para o receber sem filha, com a alegria de um lado do coração, e a tristeza do outro lado por ter passado por tudo o que passei sem ele a meu lado.
O tempo passou, e um ano e meio depois em 1972 nasceu a minha filha Susana Marina na graça de Deus sem problema algum.
 Em 1977 nasceu o meu filho, o Dário Luís, dois filhos muito desejados e criados com muito amor, a quem fiz o possível por dar tudo o que estava ao meu alcance, para além do carinho e amor.
Continuei desde 1968 a 1980 a trabalhar em casa, tendo feito entretanto um curso de corte costura e bordados, com o fim de progredir no meu trabalho, e um curso de cabeleireira que sempre fiz em segunda opção, para a família e algumas senhoras da aldeia que nunca deixei de atender.
Em 1981 fui trabalhar de ajudante de cozinheira com o fim de ter um ordenado fixo ao fim do mês e porque também já estava cansada das costuras.
De 1982 a 1999 trabalhei como empresária comercial por conta própria, com um comercio de café e mercearia a retalho numa pequena aldeia com menos de trezentos habitantes onde vivia.
Passaram vinte anos e, cansei-me desse comercio, estava estagnado completamente, asfixiado pelas grandes superfícies, sem a possibilidade de fazer mudanças ou alterações num renovar para outra direcção  parei completamente e direccionei-me para a Actividade de cabeleireira, mesmo com alguns dissabores, perdas e maus investimentos, sobrevivi a tudo, e hoje estou feliz na mesma actividade, vivendo do meu trabalho e no lugar certo!!!






A MINHA FOTOGRAFIA

Eu Lídia Frade

Gosto de ser Lídia Frade, nome profissional, nome de suposta escritora, nome que mais prazer me dá assinar, e por isso mesmo porque sou uma mulher de prazeres saboreados, de prazeres procurados, ou até inventados, mas tudo o que faço na vida tem que ser por prazer de fazer.
Profissionalmente, adoro o meu trabalho, sou cabeleireira de homens por opção, porque é menos cansativo do que trabalhar com mulheres, ainda porque sempre gostei de ser diferente, e sendo que as mulheres estão há relativamente poucos anos nos cabeleireiros de homens, eu sempre desejei ser uma das pioneiras. Além da minha profissão, gosto de viajar, de fazer fotografia, de pintar e escrever.

AS MINHAS VIRTUDES

Sou amiga dos meus amigos ou família sem olhar a sacrifícios, humanamente solidária, tanto quanto a vida me permite, ou a credibilidade das causas. Lutadora por tudo o que quero alcançar, sem olhar a sacrifícios, se poder ser virtude, sou um pouco insatisfeita comigo, querendo ir sempre mais além, etapa após etapa.

OS MEUS DEFEITOS

Sou teimosa, um pouco precipitada, talvez possa ser um defeito a insatisfação, mas resume-se a querer ser mais eu, sem prejuízo para terceiros.

O QUE GOSTARIA DE TER FEITO NÃO TENDO OPORTUNIDADE

Gostava de ter feito outra escolaridade há mais anos atrás, sem que no entanto isso tivesse interferido no meu percurso de vida, sempre fiz o que estaria ao meu alcance para evoluir no meu caminhar de aprendizagem, e tudo no tempo certo, cursos de formação feminina, cursos de corte costura e bordados, cursos de estética, cursos de cabeleireira, e agora pintura, e Requalificação escolar em curso.
Gostaria de ter ido para os Estados Unidos mais cedo, pois quando tive oportunidade de ir para lá trabalhar, recusei por ser um tempo em que os netos já começavam a chegar, e embora não seja uma avó muito presente, sou o suficiente para acompanhar o seu crescimento, gostaria de ter o meu próprio espaço e voltar a trabalhar por conta própria mais sedo, mas tudo tem um tempo na vida, e esse dia também chegou.

O QUE EU SOU

 Uma mulher a 100% que gosta dos prazeres da vida, uma lutadora no sentido prático, uma mulher com filhos e netos que adora, mas que gosta de namorar, e a quem ninguém se atreva a impor ou traçar os seus próprios caminhos. Que pode dar ou fazer tudo de livre vontade, mas a quem ninguém pense pisar.


SOU TODA EU                     Lídia Frade


MINHA NOITE, MEU DIA
RIBATEJO

 Rolando na estrada atenta
Desfaço a distância que resta
Da minha casinha modesta
Na aldeia, que espera e acalenta
Meus sonhos de um dia voltar
Que hoje eu procuro acertar
Num dia de folga, apenas
Faço acrescentar o meu tempo
Na noite que oferece mecenas
Ao meu descansado alento,
Já noite, a reconfortante calma
Do pequeno quarto, onde me deito.

E quando desperto renovada, como a aurora,
Onde escuto os cães vadios,
Guardiões do nada em alerta,
Refletem os movimentos,
Anunciam, a manhã que desperta,
Com um incessante pilpirrear, em crescente
Dos passaritos, que saúdam quem lá mora
Ali por perto, as rolas nas oliveiras,
Me encantam com seu arrulhar  
E na saudade, deste meu estar ausente
Eu vou pensando, saboreando,
Cada momento do presente,
Eu vou apreciando a minha vida,
E tudo o que nela conto, nesta hora.

Um pouco mais, e já o sol está a raiar
Um pouco mais, já eu me vou levantar
Abrindo as minhas portas, par a par
Eu olho o céu, saúdo a minha manhã
As minhas plantas do quintal, eu vou espreitar
Nas orvalhadas, refresco-me em vida sã
Com as minhas mãos na terra,
Arranco ortigas, e muitas ervas daninhas,
Que crescem assim sem parar.

Meus lírios brancos floriram,
Mostrando o chegar, de radiosa primavera,
E as minhas camélias brilhando,
Entre gotas e perolas de orvalho,
Na linda cor, de rubra e madura romã,
Voam as flores dos pessegueiros,
Voando… como se fossem leve quimera,
Giestas, alecrins e rosmaninhos,
Entregam-se, ás abelhas em seu afã
Os legumes, em canteiros alinhados,
Crescem, em cada semana a passar,
Amadurecem, pelos meus carinhos afagados.

E mal começou, ou bem começou meu dia,
Em pequeno-almoço de doces aromas
Nos pequenos mimos, de um dia especial
Na saudação a quem está próximo, em alegria
Ou alguém anónimo, encontrado ao caminhar,
Nas fotos que se fazem, para um dia recordar.
Já a fogueira que se ateia, para o churrasco fazer,
Com a mesa no alpendre, para ali mesmo comer
Os tomates e alfaces, ainda na terra a crescer
No meu quintal de regalos, que eu olho com prazer.

O repasto de um almoço, bem diferente e prazeroso,
Onde se integra a diferença, de mais sabor e odor
Onde o descanso da sésta, e num relaxe amoroso
Vai chegando a tarde calma, em passeio de namoro
Vai assim fugindo a folga, no seu sentido valor
Chega a hora de pensar, no regresso á cidade
Já são horas do jantar, pois já está a anoitecer
Hora ainda para pensar, sentindo alguma vaidade.
E nesta avaliação total, pode até haver cansaço!...
A fasquia ficou alta, de tudo o que quero fazer
São dias num caminhar, atrás de um, outro passo
Atrás da noite, outro dia, vivido com muito prazer.

Lídia Frade


O NOSSO TEJO ANTES DO INVERNO DESTE ANO!!!

INTRODUÇÃO


Irei falar um pouco sobre a sua história e geografia, população, roteiros, candidatura a património mundial, e outras informações.
 A importância e notabilidade que Santarém sempre assumiu através de muitos séculos, fez desta cidade  uma das mais importantes de Portugal.
E á qual estiveram sempre ligadas intimamente, muitos dos maiores vultos da nossa história, assim como do nosso País.
Tem um elevado e relevante numero de monumental património, testemunhando grande opulência artística e cultural,(sui generis) á escala nacional.




                    
Lídia Frade

                                                
                                                                

Foi residência real e capital do reino no reinado de D. João IV no século XIV. Vindo daí a sua maior importância em documentação, de privilégios e forais, com a sua grande expansão teria na época em área concelhia. 
v  Dezasseis conventos e mosteiros,
v  Cerca de trinta albergarias e hospitais,
v  Mais de quarenta ermidas,
v  Paços realengos como os de Alcáçova e do Terreiro da Piedade,
v  Palácios e solares da melhor nobreza do reino.
Este desenvolvimento e interligação resultou em diversas  conjunturas políticas, económicas, sociais e culturais derivando assim em grande opulência artística, e desta o estilo gótico monumentos construídos nos séculos XIII e XIV em Santarém, concedendo-lhe o epíteto de “ Capital do Gótico”.
Aconteceram ainda ao longo dos séculos algumas delapidações que sacrificaram e destruíram uma boa parte do património medieval, chegados os séculos IX e XX Santarém ainda mantêm alguma herança monumental desse período, que são exemplos:
v  Igreja S. João de Alporão (séc. XIII)
v  Igreja da Graça(séc. XIV)
v  Igreja de Marvila ( reconstrução Manuelina)
v  Igreja do Convento de Santa Clara(1260)
v  Convento de S. Francisco(1242)
v  Igreja San. Cruz da Ribeira ( séc. XIV)
v  Fonte das Figueiras (séc. XIII)
v  Recinto Fortificação de Alcáçova  Portas de S. Tiago e do Sol, etc.
Santarém tem sido objecto de grande interesse por parte da Câmara Municipal em diversas acções pela conservação de património, principalmente no projecto iniciado em 1992 na área do centro histórico, assim como a Candidatura de Santarém a Património Mundial.
Recentemente através de trabalhos arqueológicos realizados pelo IPPAR (Instituto Português do Património Arquitectónico e Arqueológico) foi descoberto um Templo Romano nos trabalhos de restauro da alcáçova de Santarém, com 15 m de lado que se presume datar do Séc. I AC.


MONUMENTOS A VISITAR EM SANTARÉM
v  Portas do Sol
v  Igreja de Marvila
v  Igreja de Santa Clara
v  Igreja do Milagre
v  Capela de Nossa Senhora do Monte
v  Igreja da Misericórdia
v  Igreja de Jesus Cristo
v  Convento de S. Francisco
v  Igreja da Graça                                                                          
v  Igreja do Seminário
v  Fonte das Figueiras
v  Igreja de Santa Cruz                                                                                                               
v  Igreja de Santa Iria
v  Castelo de Alcanede
v  Convento de Almoster
v  Igreja de São João de Alporão
v  Torre das Cabaças


                                                                                                                      
ENTRE  LENDAS E A HISTÓRIA
A capacidade defensiva, e os acessos fáceis ao rio Tejo e seus campos férteis, cedo tornaram Santarém num local privilegiado  para afixação humana, quer no planalto ou nas zonas ribeirinhas.
A presença dos romanos é relatada por diversos autores, chamando-lhe scallabis tendo sido no séc. I importante base militar para defesa e colonização do território.
A cidade sofreu no séc. III grande crise no império romano, tendo sido em CCCCLX dada aos visigodes.
Foi no séc. VI sobre esse domínio que se deram os acontecimentos lendários sobre SANTA IRIA . Posteriormente recebendo a designação de SANCTA IRENA na época muçulmana ainda o nome de CHANTIREIN ou CHANTARIM, tornando-se na actual SANTARÈM.
A ocupação muçulmana deu-se no séc. VIII, segundo-se a definitiva ocupação cristã em MCXLVII durante toda a idade média, a vila foi palco de diversos acontecimentos que marcaram a nossa história, sendo um relatado pelos historiadores, a morte do infante D. Afonso, filho de D João II, num acidente de cavalo nas margens do Tejo, sendo uma razão de afastamento da corte da vila de Santarém e o seu declinou na importância do reino.
Foi em Dezembro e 1868 que foi elevada a cidade.


SANTARÉM CONCELHO
v  Área.................................559 km2
v  Densidade Populacional.............112 P/km2
v  N º Freguesias..................................28
v  Concelho ---------62.621 habitantes
v  Santarém-----------26.357 habitantes
v  E Freguesias Urbanas
LENDA DE SANTA IRIA
Nascida de uma família de Nabância (região de Tomar) Iria recebeu educação num convento de freiras beneditinas chefiado polo seu tio, o abade Sélio, e no qual viria a professar. Era bela e inteligente despertando o interesse dos jovens fidalgos que disputavam a sua atenção, entre eles Britaldo, príncipe que alimentava por Iria uma paixão doentia.
Perdido de amores estava também Remígeo, director espiritual de Iria que tomando conhecimento dos amores de Britaldo, e consumido de ciúmes fez Iria tomar uma tisana embruxada que fez surgir no corpo da donzela sinais de gravidez.
Expulsa do convento foi refugiar-se na beira do rio a chorar e ali foi assassinada por um criado de Britaldo, o seu corpo de mártir foi atirado ao rio, vindo a ser encontrado e dado sepultura nas areias sob as claras águas do Tejo hoje Ribeira de Santarém onde é festejada como padroeira e onde se recomenda uma visita á Igreja de Santa Iria.



HISTÓRIA DO SANTISSIMO MILAGRE DE SANTAR
Corria o ano de 1247 ou 1266 segundo os escritos de alguns cronista da época.
Na então vila vivia uma pobre mulher a quem o marido tratava muito mal por andar enfeitiçado com uma amante.
Em tal desespero foi pedir ajuda a uma bruxa judia, para que com os seus feitiços a livrasse de tremenda e desgraçada vida.
Prometeu-lhe esta remédio eficaz e para o qual precisava de uma hóstia consagrada, a mulher ficou amedrontada com tal ideia mas diante da situação que estava a viver foi resolver a situação pedida.
Foi confessar-se na Igreja do Santo Estevão, pediu a comunhão, e ao comungar discretamente retirou a partícula da boca envolveu-a numa ponta do véu e foi leva-la á dita feiticeira.
Quando caminhava sem que ela o notasse começou a escorrer sangue do véu em abundância, foi assim abordada por algumas pessoas que lhe perguntavam que ferimento tinha ela que tanto sangue deitava, assustada a mulher correu para casa, meteu o véu com a partícula dentro de uma arca.
Passou o dia, já tarde voltou o homem para casa, deitaram-se, e altas horas da noite foram acordados pelos raios brilhantes de uma luz encândescente que sairia de dentro da arca, inteirando-se o homem do grande pecado que a mulher tinha cometido passaram a noite de joelhos em frente da arca, e da luz divina em adoração, pela manhã foi dado conhecimento ao pároco de tamanho milagre, que mal se foi espalhando e foi acorrendo meia Santarém par contemplar o milagre.
A sagrada partícula foi levada para a Igreja de Santo Estevão, conservada numa espécie de custódia feita de cera, e dentro do sacrário para adoração aos fiéis.
Um dia ao abrir o sacrário verificou-se  que a cera que protegia a hóstia estava desfeita e partida, no lugar dela havia como uma capsula, a partícula estava envolvida por uma âmbula de cristal miraculosamente aparecida.
Esta pequena âmbula foi colocada numa custódia de prata dourada, onde ainda hoje se encontra.
Santo Estevão é hoje a Igreja do Santíssimo Milagre.
(Com a aprovação da Autoridade Eclesiástica)



FOTOS DE LÍDIA FRADE

segunda-feira, 18 de março de 2013

III ENCONTRO DE POETAS DA NOSSA TERRA!!! BIBLIOTECA BERNARDO SANTARENO........ SANTARÉM




A MINHA APRESENTAÇÃO POÉTICA, DECLAMANDO UM POEMA DEDICADO Á MINHA CIDADE, SANTARÉM!!!










                                      



DIA MUNDIAL DA POESIA 




Quanta poesia já foi escrita 

E quanta já foi esquecida 

Pela passagem efémera 

Desta vida. 

Quantos poetas vão escrever 

Dizer, mostrar, declamar 

E quantos entendidos, 

Irão escutar, ou irão ler. 

Neste ou em outro dia, 

Será o sentimento, a inspiração 

Não basta escrever com fantasia 

É bem melhor, deixar escrever, 

Deixar falar, o coração. 

Poesia, é um fio, é um pavio, 

Onde algum lume se ateia 

Onde a alma, se desfaz, 

Se deslaça, se enlaça, 

Se flameja, ou se incendeia. 

Poesia!... É neste dia 

Muita mistura de emoções 

Em bater acelerado, de ansiedades, 

Imensos sentimentos e paixões. 

Poesia!....... Aqui!..... 

É tudo o que ditaram!!! 

Os vossos corações!!! 



LÍDIA FRADE



ALGUNS DOS POETAS CONVIDADOS!!!










ENTRE A LARGA ASSISTÊNCIA ESTAVA A Dra IDALIA SERRÃO!!!

A SALA BERNARDO SANTARENO TINHA AINDA UMA EXPOSIÇÃO DE PINTURA TENDO COMO AUTORA UMA DAS POETIZAS PRESENTES!!!


















NA MESA DA PRESIDÊNCIA E APRESENTAÇÃO ESTAVAM A ESCOLA DO VALE DO TEJO, O NOMEADO PRESIDENTE DA CÂMARA DE SANTARÉM, O VEREADOR REPRESENTADO IGUALMENTE A ORQUESTRA TÍPICA SCALABITANA ASSIM COMO A Sra VEREADORA DA CULTURA!!!



















HOMENAGEM A UM GRANDE POETA RIBATEJANO, NESTE PRIMEIRO ANO EM QUE DEIXOU DE ESTAR CONNOSCO, E ENTRE O GRUPO DE POETAS NESTE ENCONTRO RIBATEJANO!!!

NAZARÉ BARBOSA

DEIXOU UMA GRANDE OBRA POÉTICA, E MUITO Á VOLTA DA VIDA RIBATEJANA!!!

FOTOS DE LÍDIA E PAULO!!!

segunda-feira, 11 de março de 2013

19 DE MARÇO, FESTAS DA CIDADE DE SANTARÉM!!! CONCURSO DE CANÇÕES "VAMOS CANTAR SANTARÉM!!!





ESTES OS 1º PRÉMIOS DE LETRA E MUSICA!!!
AUTORA LÍDIA FRADE
AQUI O GRUPO CANTARES DA VILA EM PLENA ATUAÇÃO
GANHANDO IGUALMENTE!!!
1º PRÉMIO DE INTERPRETAÇÃO!!!

BENÇÃO A SANTARÉM

Sobre o Tejo, o miradouro
Das lezírias, não há mais belo
Erguesse a vista no espaço
Pelas muralhas do castelo

Dos olivais, há charneca
No alto, te veem formosa
Subindo as tuas ladeiras
Te encontram mais majestosa

Convento de S. Francisco
O mais velho da cidade
Santa Clara e a bela Graça
Seguem-te logo na idade

S. João e S to Estevam
S. Nicolau está também
Olhando para Santa Cruz
Te abençoam, Santarém

Entre os heróis e poetas
Fidalgos e ricos senhores
Uns te louvaram em graça
Ou te ofereceram amores

Com becos e ruas estreitas
Assim nasceste menina
Por perto há sempre uma fonte
Cantando água cristalina


POEMA DE LÍDIA FRADE

GALARDOADO COM O 1º PRÉMIO DE  LETRA E MUSICA 
AUTORA 

LÍDIA FRADE

CONCURSO

VAMOS CANTAR SANTARÉM


A PLACA DO 1º PRIMEIRO PRÉMIO DE INTERPRETAÇÃO CREIO ESTAR EXPOSTA NO CENTRO CULTURAL 
VILANOVENSE  EM VILA NOVA DO COITO ALMOSTER SANTARÉM!!!

AQUI AS TRÊS MENINAS QUE CANTARAM E GANHARAM!!!
3º PRÉMIO DE INTERPRETAÇÃO!!!
ESTA PLACA PENSO ESTAR NO CENTRO CULTURAL VILANOVENSE
EM VILA NOVA DO COITO ALMOSTER SANTARÉM!!!




 ESTAS AS PLACAS DE 3º PRÉMIO DE LETRA E MUSICA
A AUTORA LÍDIA FRADE
DE

SANTARÉM CIDADE ANTIGA




Santarém, cidade antiga

Eu vejo em ti mocidade

Um dia talvez te lembre

Com saudade

Becos, vielas escondidas 

Pedras lisas que pisei

Velha Fonte das Figueiras

Que tanto dela gostei.


Tens nomes de ruas
Que são expressões de um povo
Beco das Atafonas
Que um dia foi novo
Escadinhas do Milagre
Lembranças tão belas
Dos meus verdes anos
Sempre quero telas.
Talvez uma formosa
Que seu nome deixou
Na travessa da Mónica
Que alguém adorou,
E para descansar
O teu corpo dorido
Na rua das Esteiras
Tiveste um amigo.



Em tua simplicidade

Travessa dos Tanoeiros

Porque te deram tal nome

E também aos Pasteleiros,

Foi lembrando alguém

Que um dia foi querido

Travessa das Figueiras

Orgulho de povo antigo.


LÍDIA FRADE






AS MENINAS QUE CANTARAM
EM 1998 A CANÇÃO QUE GANHOU O 3º PRÉMIO 
AUTORA LÍDIA FRADE

 TEU HINO SENHORA

És olivais
Prados verdes
Céu aberto
Centro de história               
Tu tens o lugar bem certo
Tal emoção, eu sinto
Quando te vejo
Ó Santarém
Capital do Ribatejo.

Vistas soberbas
Do alto da colina
Velha senhora
Coração de menina
Te abraça o Tejo
Com toda a tua glória
Ó Santarém
Com oito séculos de história.

Ruas estreitas
Onde espreita
O sol dourado
Fontes tão belas
Onde vão os namorados
Tua beleza
É inspiração de artistas
Ó Santarém
Nome filho de conquistas.


AS PLACAS DOS PRÉMIOS DESTA CANÇÃO FICARAM NO CENTRO CULTURAL VILANOVENSE EM VILA NOVA DO COITO ALMOSTER
COLECTIVIDADE QUE FORAM REPRESENTAR

AUTORA
LÍDIA FRADE

3º LUGAR DE LETRA E MUSICA

NO CONCURSO

VAMOS CANTAR SANTARÉM

quarta-feira, 6 de março de 2013

A TERRA QUE ME VIU NASCER!!! PELOS CAMINHOS DO RIBATEJO!!!

CADA VEZ QUE PASSO NESTE LOCAL, CHEGA SEM DEMORA A VISÃO QUE TENHO DE MENINA COM ESTE PAUL TODO INUNDADO, COM MUITA ALTURA DE ÁGUA, LOGO NO OUTONO, ONDE NEM O ARROZ AQUI SEMEADO SE TINHA COLHIDO, MUITAS VEZES POR FALTA AINDA DE MATURAÇÃO, OU QUANDO JÁ CEIFADO MAS SEM TEMPO PARA O RECOLHEREM...... CHEGAVA SEM AVISO O MAU TEMPO, COM ELE AS LEZÍRIAS E OS PAUIS FICAVAM COMPLETAMENTE INUNDADOS, OS MOLHOS DO ARROZ DESLIZAVAM NA CORRENTE, NO CIMO DAS ÁGUAS!!!
PERDIAM ASSIM TODA A COLHEITA.... TODO O TRABALHO....TODA A DESPESA..... SEM AVISOS NEM SEGUROS!!!
RUÍNA DE MUITOS AGRICULTORES!!!

 Uma boa recordação na escola veio do tempo das cheias... os pauis, ficavam todos alagados, as águas das cheias subiam ali, na Ponte do Celeiro, vários metros, acima do normal.
E aquela era uma das maiores cheias lembradas pelos residentes, que colocavam agora paus espetados a marcar a beira da água, chamavam-lhes uma baliza, sempre que por lá iam para ver, assim iam sempre verificando se o nível estava a subir ou a descer.
Tinha havido na ponte um acidente - ainda as águas estavam mais baixas - com uma camioneta que andava a fazer transporte de vinho, o motorista tinha pensado em entrar na ponte para passar, entrou mas esbarrou ao lado, e a camioneta mergulhou para a vala ficando apenas com a traseira de fora. O homem lá conseguiu sair mas o vinho foi pela cheia abaixo.
Este foi então um dia especial de passeio em que a tal professora levou os seus alunos a ver a cheia, e Dalila ficou muito feliz com este passeio, de ver a cheia ali mesmo na beirinha, o que normalmente não acontecia, só via de longe, dos cabeços de Almodelim, pois a sua casa ficava mais perto dos cabeços.
No tempo das cheias a camioneta permanecia do lado de cá, e outra esperava do lado das Fontainhas, depois, vinham barcos dos pescadores, e assim passavam as pessoas até à outra camioneta. Mas Dalila nunca passou de barco, para além do medo não tinha nada que a levasse a Santarém em tempo de cheias.
















PELO MEU OLHAR

Penetro o meu olhar
Pela noite branca
Ou em camadas suspensas
De, atmosferas nebulosas
Ou, banhadas, pelo luar.
Num ecrã,
Uma, casinha branquinha,
baixinha,
Entre montes abrigada,
Entre, nascentes cantadas,
De, imagens filtradas,
De, lembranças guardadas
Rebuscadas,
Pelo meu olhar,
Ou pela minha capacidade,
de sonhar.
Acordo, abro os olhos
ao dia que nasce, ao sol,
que na minha janela
já sorri para mim!
Revejo o invisível,
até na distância!
A minha casinha branquinha,
Baixinha,
Entre montes abrigada,
entre nascentes cantada,
recatada, encantada
e, guardada,
Pela minha capacidade
De sonhar.

Lídia Frade






 ESTA IMAGEM DO LADO ESTE COM ALGUMAS CASAS DAS FONTAINHAS!!!


 IMAGENS DO LADO SUL, E ESTES ESPELHOS DE ÁGUA QUE ADORO FOTOGRAFAR!!!
 OS TRABALHOS DO ARROZ
Como é de calcular, Dalila, antes de tudo o mais, trabalhava. E se na quinta dos Faias tinha começado a trabalhar no tomate, depois estivera nas vindimas, na azeitona, e apanha das vides quando chegou a Primavera, e nas mondas do trigo, e dar água à cura, de seguida Dalila iria trabalhar no plantio do arroz e, a seguir, nas mondas do arroz.
Julieta não podia fazer os trabalhos do arroz, tinha uma perna com um problema desde criança que poderia agravar-se com um simples arranhão, e plantar arroz era andar dentro de água, dentro de lama, até quase ao joelho.
Depois Dalila também estava bem acompanhada com várias mulheres da Atalaia, que já estavam habituadas, e foram elas que ensinaram Dalila, e no meio delas foi fácil aprender. Plantar arroz era engraçado, chegava atado em molhinhos pequenos, molhos que uma mulher pudesse agarrar só com uma mão, depois separava três ou quatro pés de plantas e colocava na lama, sempre recuando, umas ao lado das outras, suficientes para preencher a largura do canteiro.
Ficava assim um trabalho muito certinho, as plantas com parte da rama fora de água, a outra metade dentro da terra e da água, e como era feito a recuar, quando chegavam ao fim estava o canteiro lindo.
Quando acabavam de plantar o paul todo já o que havia sido plantado primeiro tinha crescido e, com ele, as ervas daninhas. Todas as ervas que crescessem facilmente dentro de água se desenvolviam, e aí era preciso arrancá-las. Chegavam assim as mondas, e continuava a ser esse um trabalho divertido para uma moça nova, andar naquele trabalho, era chapinhar um dia inteiro dentro de lama mas não era difícil, depois, bom... havia uma maneira de irem para casa cedo, pelo meio da tarde.
O grupo de mulheres a que pertencia Dalila fazia todos os dias um acordo verbal, ou talvez mais um desafio. O capataz percorria uma certa área de canteiros de arroz, aquilo que achava razoável para o trabalho de um determinado grupo de mulheres até à noite. A chefe mais sabida do grupo, ou mais conhecedora do trabalho, aceitava ou discutia a empreitada com o capataz, e metiam todas mãos ao trabalho, com garra, e pelas  quatro horas da tarde, mais ou menos, estavam perto de acabar o seu dia de trabalho e voltar para casa, com todo o trabalho acordado já executado.
Por essa época começou a ser implantada uma novidade nas sementeiras do arroz, a sementeira directa já nos canteiros. Começavam a fazer a título experimental, tudo era feito com outra dimensão, e por isso mesmo não podia ser em canteiros como os de plantio manual. A monda também passaria a um processo químico, e todos os outros trabalhos foram sendo alterados e substituídos, o trabalho manual trocado pelo de máquinas.
Triste era, nesta época, em tempo de cheias, se chovia muito cedo e os pauis enchiam, sem que os arrozeiros tivessem tempo para retirar o arroz, por não estar ainda devidamente maduro e, por isso mesmo, capaz de ceifar.
Enquanto os trabalhos eram feitos manualmente, era complicado: os ranchos iam ceifando o arroz que ficava espalhado por cima do restolho e, logo a seguir, era atado em molhos, devidamente seco para se retirar do paul e chegá-lo às máquinas debulhadoras, que estavam ali instaladas no paul para esse fim.

AS CHEIAS
Havia anos de muita chuva e antes desses trabalhos concluídos chegavam as cheias, e então era só trabalhar, noite e dia, tentando retirar o mais possível. Se o tempo não chegava eram retiradas as máquinas e o arroz era abandonado.
Os donos choravam, o paul enchia, e na cheia perdia-se tudo, podia-se ver, deslizando, levados pelas águas, os molhos do arroz, boiando sem mais recuperação, enquanto outro ainda tinha ficado na terra por ceifar.
Aquela era a grande cultura, a mais forte, de alguns agricultores da Ponte do Celeiro, e o seu investimento nesta cultura era tal que chegavam a fazer empréstimos bancários para a realizar, apenas um tiro no escuro, sem certeza de nada para o seu pagamento, e assim se empenhavam bens à banca ou a usurários independentes.
Assim se trabalhava com amor, assim se destruíam vidas na tentativa de uma vida melhor, era apenas a luta pela vida, sem direitos a subsídios nem reclamações, apenas acreditando na sorte ou aceitando a desgraça.
O único proveito que podiam retirar das cheias era a renovação dos terrenos pois que, depois da água secar, ficava tudo o que elas tinham trazido enterrado nas lamas, e quando as terras eram trabalhadas de novo, se envolvia e se tornava em fertilizante.

Excertos do livro A Fazenda onde veio a luz ao Mundo
de Lídia Frade


COM O SOL A SUL LOGO DE MANHÃ!!!












JÁ FAZ MUITO TEMPO QUE ANDAVA PARA FOTOGRAFAR ESTA CEGONHA ALI NO NINHO, MAS..... UMAS VEZES QUANDO PASSO NÃO ESTAVA LÁ, OUTRAS LEVAVA TRANSITO ATRÁS, E NÃO CONVINHA ESTAR A FOTOGRAFAR, DESTA VEZ CONSIGUI, A FOTO POSSÍVEL E EM ANDAMENTO, MAS A CEGONHA ESTÁ LÁ!!!

PONTE DA ASSECA SANTARÉM!!!

FOTOS LÍDIA FRADE