sexta-feira, 28 de setembro de 2012

VILA NOVA DA BARQUINHA!!! PELOS CAMINHOS DO RIBATEJO!!! OS MEUS ÚLTIMOS DIAS DE FÉRIAS!!! LÍDIA FRADE!!!

COM UM CLIK PODE AMPLIAR 
ESTAÇÃO FERROVIÁRIA DA BARQUINHA!!!

Inaugurado em Julho de 2005, o Barquinha Parque rapidamente se transformou num ícone de Vila Nova da Barquinha, sendo o local eleito pelos habitantes do concelho e da região para passar os seus tempos livres.

Em 2012, este espaço reconhecido e premiado acolheu um projecto único em Portugal, o Parque de Escultura Contemporânea Almourol. Este património artístico contribuiu ainda mais para o seu reconhecimento nacional e internacional, permitindo simultaneamente a sua utilização como área de lazer.

Caminhar, fazer jogging, levar as crianças para brincar, andar de bicicleta, jogar “à bola” ou simplesmente apreciar a paisagem ribeirinha são algumas actividades que este espaço oferece numa envolvente natural de rara beleza.
Pensado pela dupla de Arquitectos Paisagistas – Hipólito Bettencourt e Joana Sena Rego – este espaço substituiu os velhos nateiros por um imenso prado verde onde crescem cerca de 700 árvores.

Conquistou o Prémio Nacional de Arquitectura Paisagista 2007, na categoria “Espaços Exteriores de Uso Público”.

O parque ocupa uma área de cerca de 7 hectares, onde existem equipamentos desportivos, espaços lúdicos para as crianças e percursos ribeirinhos, tudo enquadrado numa área de prado natural a escassos metros do Rio Tejo.

A constante dinamização cultural, assim como a disponibilidade de acesso à Internet via wirless, são factores que complementam a diversidade de propostas para utilização do Barquinha Parque.

Alberto Carneiro, Ângela Ferreira, Carlos Nogueira, Cristina Ataíde, Fernanda Fragateiro, Joana Vasconcelos, José Pedro Croft, Pedro Cabrita Reis, Rui Chafes, Xana e Zulmiro de Carvalho são os autores da esculturas que compõem o Parque de Escultura Contemporânea Almourol.

Pela primeira vez em Portugal, existe um espaço com o melhor da escultura contemporânea portuguesa, cobrindo autores e obras cujo trabalho se desenvolveu da década de 60 até à actualidade.

www.barquinhaearte.pt

© Todos os direitos reservados



 O CÉU ESTAVA LINDO PARA SER FOTOGRAFADO!!!

 PARA ALÉM DE TODA A EXPLICAÇÃO QUE VOS DEIXO SOBRE O ESPAÇO PARQUE RETIRADO DE VILA NOVA DA BARQUINHA, DEIXO AINDA TODA A MINHA REPORTAGEM FOTOGRÁFICA FEITA NA BEIRA RIO!!!
NAS MINHAS VIAGENS PELOS CAMINHOS DO RIBATEJO!!!

















ANDANDO NAS NUVENS

Num sonho andar nas nuvens
Não sentindo o peso leve
Mesmo em leve caminhar.

Elevada e suspensa
Sendo tão leve e subtil
Como anjos pairando no ar

Com asas de nuvem moldadas
Músicas inacabadas
No som de violinos tocadas

Imaginação de poeta
Que passa a ficção
Com papel e caneta.

Poema de Lídia Frade



MUITO MAIS LINDO FICOU FOTOGRAFADO NO LEITO DO RIO!!!

MEU TEJO

Margem direita do Tejo
Te percorro, te revejo
Te subo, em contra corrente
Te penetro, Ribatejo
Margem direita do Tejo
De onde tenho estado
Ausente,
Mas sempre de amor
Constante,
Onde o meu coração sente,
Um sentimento de amante.

Margem direita do Tejo
Perto da foz,
Te percorro, em ti, deslizo,
Te desventro,
E com amor, te sussurro,
Palavras
Inspiração de momento.

em AMOR ETERNO, Interregno e Silêncio

LINDOS MOMENTOS!!!


TALVEZ NÃO RAROS!!!


DEPENDE DOS MOVIMENTOS DAS NUVENS!!!


 DA LUZ SOLAR!!!

QUE PODE CRIAR ESTE AMBIENTE DE COMUNHÃO ENTRE CÉU E TERRA!!!

PARA MIM CONSIDERO-ME SORTUDA!!!

POR ESTAR DE PASSEIO POR AQUI NESTA HORA!!!

NESTE DIA!!!

NOS MEUS ÚLTIMOS DIAS DE FÉRIAS!!!

NESTE LINDÍSSIMO AMBIENTE!!!

NESTA BELÍSSIMA TERRA QUE MAL CONHECIA, E QUE ALGUNS AMIGOS LOCAIS FIZERAM MUITO GOSTO EM MOSTRAR!!!








PELOS CAMINHOS DO RIBATEJO!!!

FOTOS DE LÍDIA FRADE!!!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

PELOS CAMINHOS DO RIBATEJO.... S. JOÃO DA RIBEIRA.... RIO MAIOR... TORRE MOURISCA!!!

TODA A MINHA VIDA PASSEI POR S. JOÃO DA RIBEIRA, CONHECI ALGUMAS PESSOAS POUCAS... ALI RESIDENTES, MAS... PAREI POR LÁ DUAS OU TRÊS VEZES, NUNCA NO LOCAL QUE VOS MOSTRO HOJE, E, QUE ADOREI CONHECER, DESTA SIMPÁTICA LOCALIDADE!!! 



 SEMPRE QUE VIA A INDICAÇÃO DA TORRE, PENSAVA UM DIA VOU PARAR... MAS HOJE NÃO TENHO TEMPO.

ATÉ QUE CHEGOU O DIA!!!

PAREI!!! ADOREI!!! FOTOGRAFEI!!!

AQUI ESTÁ MAIS UMA MOSTRA, PELOS MEUS CAMINHOS DO RIBATEJO!!!


O SINO JÁ NÃO TOCA!!!


O RELÓGIO JÁ NÃO TEM HORAS CERTAS!!!


MAS É MOURISCA!!!




























 A IGREJA ESTAVA FECHADA MAS RODEADA DE UM BOM PARQUE!!!

ESTA JANELA FAZ PARTE DA TORRE!!!
























 GUARDA NO SEU ENQUADRAMENTO UM SONETO DE RUY BELO GRANDE POETA ALI NASCIDO, E LEMBRADO, ONDE TEM POUCO TEMPO FOI HOMENAGEADO!!!


 ESTE LINDO FONTANÁRIO, ONDE EM TEMPOS IDOS CORREU ÁGUA ABUNDANTE, E QUE HOJE COMO MUITOS OUTROS, MOSTRA VIDA APENAS NA BELEZA DOS SEUS QUADROS DE AZULEJO, REPRESENTATIVOS DE MOTIVOS DA ALDEIA!!!






O MUSEU TAMBÉM NA HORA FECHADO, TERÁ CERTAMENTE MUITO DA SUA REGIONAL CULTURA AGRÍCOLA!!!


AQUI VOS DEIXO TODA ESTA REPORTAGEM E INFORMAÇÃO, QUE PARA ALÉM DE IR ENRIQUECER O MEU BLOG, PODERÁ MOSTRA-VOS QUE MERECE A VOSSA VISITA, NUMA DAS VOSSAS PASSAGENS, NÃO APRESSADAS!!!






FOTOS DE LÍDIA FRADE

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

SALINAS DE RIO MAIOR EM PLENA ÉPOCA DE EXTRAÇÃO!!!

http://www.youtube.com/watch?v=xpCw8auUDeE&feature=colike


 SAL TEMPERO PARA A VIDA

Sete vezes mais salgado
Sete vezes trabalhado
Ou muito mais suor largado.
Sai de poços naturais
Este sal que é muito mais
Que tempero, da vida em sais.

LÍDIA FRADE

 AQUI VOS DEIXO UMA REPORTAGEM FOTOGRÁFICA
DOS MEUS PASSEIOS DAS 3ª FEIRAS  PELOS CAMINHOS DO RIBATEJO!!!
DESTA VEZ FOI A VISITA ÁS SALINAS EM PLENA PRODUÇÃO!!!

















FOTOS DE LÍDIA FRADE

sábado, 8 de setembro de 2012

RESPOSTA... ÁS PORTAS QUE ABRIL ABRIU, DE ARY DOS SANTOS.... ESCRITO POR LÍDIA FRADE!!!


AS PORTAS QUE ABRIL ABRIU



RESPOSTA…. Às PORTAS QUE ABRIL ABRIU!

Continua a ser país
Sem guerras, ou dimensão
Apenas é nossa raiz
E nosso querer de coração
Beiras de terra, ou beiras de mar
De sobredos e enredos
Com os mesmos socalcos e atalhos
Veredas que nos dão medos
Sem indústrias, sem trabalhos
Sem o verde das searas
Dos montes só as queimadas
De negro se vestem enseadas
Nos rios já não se miram
Mais… com desespero se atiram
E se o sustento retiram
Pagam caro…com vida e ais
Não tendo tempo para mais
Só têm uma certeza
Não sabem, nem vão comparar
Mas não ter… com que comprar
Foi passado, é o presente, foi pobreza
Mas continua a ser tristeza.
Era uma vez um país
Que de longe, é nossa raiz
Que continua a contar
O pão que não tem para dar
Pelas ordens… do não semear,
Que já não vive algemado
Mas proibido de pescar
Num país que só tem mar
E tudo o que o serve, confiscado
Parado, e servilmente roubado.
Era e é, uma vez um país
Onde as minas se fecharam
Os olivais se arrancaram
Os subsídios se instalaram
Onde a palavra explorado
Deixou de ser, do desgraçado
Passou a ser, do tributado
Que pode não dormir com o gado
Mas corre o risco de o ser
Confiscado, despojado
Se não chegou, seu contributo
Para os que comem calados
Bem pode ficar sem comer
Pense é no que vai fazer,
Para não ficar sem almoço
Pelo que espera, o seu caroço
O cidadão integrado, ou…subsidiado.
Era uma vez um país
De tal maneira explorado;
Foi nos tempos do passado!?
E hoje digam vocês!?
As multis desapareceram
Sem motivo ou explicações
Foram os monstros que açoitaram
As hienas que assaltaram, que roubaram
Sonhos e alegrias, de muitos corações.
É desta vez um país
Onde desemprego é a chaga
Com idas e vindas de esperas
Das esquinas e das praças sem feras
Em Centro de Empregos sem sonhos
Que o nosso sol, ao despontar aquece
As filas, de quem já se conhece
Este povo desiludido e sem garra
Que já nem á luta se amarra
Que já não quer carregar,
As tais sete pedras na mão,
Nem a poesia, de uma pedra de lua
No lugar do coração.
Nesta terra, e neste chão
Já ninguém é amigo, ou irmão
Não comem da mesma ração
Não dormem na mesma cama….
Nem comem do mesmo pão
Mesmo que assim seja o querer.
E já foi chão que deu uvas
O antes quebrar que torcer,
A fúria de viver, está em todos males,
Neste país, sempre a minguar
As espingardas, estão em mãos erradas,
Dos livros, com ou sem registos,
Cresceu um país de doutores,
Que não conhecem, terra, arado, ou enxadas.
E se Portugal renasceu,
Assim governou quem quis,
Passou sim, por mãos estranhas
Sem convencer a raiz,
Este povo que se curvava,
E que vivia infeliz,
Passou a moldar suas manhas
Também quis, ser burguesia
Acenaram-lhe com notas
Com cartões de mais valia
E se agora, ninguém mais cerra,
As portas que abril abriu,
Vão aproveitar as rotas
Que a Europa permitiu,
Vão ao trabalho os ganhões
Por aqui… nem vão sobrar as pensões,
Á pedreiros sem patrões
E muitos que nem profissões.
Que a história, o irá contar
Não havia estado novo
Nem portas que Abril abriu
Nos poemas de Camões,
Muito menos a corrupção
Que nos vem asfixiando,
Nem falou do alçapão
Que nos vai encurralando,
E neste país de poetas
Nem Ary, se ia lembrando,
Que as portas que Abril abriu
Também nos roubava metas
O progresso nos fugiu
Na juventude, são vidas incertas
E quem tudo consentiu?
Quem tem o poder na mão
Quem enriquece e progride
Quem fez por abrir canais
Onde escoa a corrupção
Quem faz ganhar aos milhares
Quem nada faz, ou pouco mais
Os balofos verbos de encher
Mafiosas serpentes,
Lacaios sorridentes,
De quem lhes dá cobertura
Por ter força do poder.
E as portas que abril abriu
Caíram apodrecidas
Viciadas, inchadas, esvaídas,
Deixaram, de haver fascistas
Mandam mais, os agiotistas,
Mas este povo está mole
Come piza… e apanha sol,
Quem vai lutar por um País?
Que é chão nosso de raiz,
Onde a indiferença é o mote,
Estamos entregues á má sorte,
Uma alcateia de cães danados
A que dão tréguas desarmados
Alguns ninhos de serpentes
Neste nosso chão ardido
Onde não, germinam sementes.
Sendo tempo de mudar
Como nada é linear
Num Estado de confusões
O que o futuro, nos vai dar
Serão uns bons trambolhões.
Horas de voltar á terra
Que é a barriga da mãe
Hora de voltar ao mar também,
E se houver gente semente
Bem firme e de boa casta,
Venham todos, de todos, basta
Organizem-se, e façam querer
Chegou o dia de correr
Com a escumalha organizada
Em seu proveito, bem infiltrada,
Encostem-nos á parede
Confisquem o que roubaram
Ou por engano que fosse
Levaram a mais, não fosse
Outra vedeta apanhar.
Publico serviço, de amanhar,
Não duvidem,
Somos só nós, que estamos a pagar
Agarrem… do tomatal os tomates
Façam ataque em remates
Voltem a mesa redonda,
Sem discussão!!!
Já não vale, tudo mesmo vai tombar,
Hoje… já nem fazem promessas,
Foram armas, de arremessas
Atiradas ao calhar
Hoje ninguém mais, vai acreditar.

escrito por LÍDIA FRADE


A MINHA HUMILDE RESPOSTA A ARY!!!

As Portas que Abril Abriu
José Carlos Ary dos Santos


"Obra poética"
Edições Avante 1975


Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
- pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
- é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.
Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.
Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.
E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.
A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.
Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.
Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.
Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.
E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.
Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.
Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.
Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.
Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
- cumpriu-se a revolução.
Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.
E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.
Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.
E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.
Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.
Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.
Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.
Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.
Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.
Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
- Não havia estado novo
nos poemas de Camões!
Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.
Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.
Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.
E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!
É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.
Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!

POEMA ARQUIVO RTP

IMAGEM GOOGLE

POR LÍDIA FRADE
 



quinta-feira, 6 de setembro de 2012

ATRAVÉS DOS TEMPOS, E DE ÉPOCAS, PELOS CAMINHOS DE SANTARÉM, COMPARAÇÕES E ATUALIDADES, AO ESTADO DA NAÇÃO!!!


NAS MINHAS PESQUISAS ENCONTREI NOS ARQUIVOS RTP ESTE LINDO POEMA DE ARY!!!

IMAGEM  DE SANTARÉM, GOOGLE 

FOI ESCRITO E MUITO BEM, COM AS REALIDADES DE UMA ÉPOCA, HOJE PASSADOS TANTOS ANOS VOLTAMOS A MUITAS REALIDADES DE ENTÃO, APENAS COM OUTROS CENÁRIOS, OUTROS ATORES, OUTROS APROVEITADORES, COM PROFISSÕES DE BASE, ASSENTES NOS TEMPOS, RECONHECIDOS SUPERIORMENTE, POR CORRUPTOS E CORRUPTORES!!! 

BREVEMENTE COLOCAREI A RESPOSTA A ESTE GRANDE TRABALHO DE ARY, AINDA QUE DIGA JÁ:

A MINHA HUMILDE RESPOSTA A ARY!!!

As Portas que Abril Abriu
José Carlos Ary dos Santos


"Obra poética"
Edições Avante 1975


Era uma vez um país
onde entre o mar e a guerra
vivia o mais infeliz
dos povos à beira-terra.
Onde entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo se debruçava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
Era uma vez um país
onde o pão era contado
onde quem tinha a raiz
tinha o fruto arrecadado
onde quem tinha o dinheiro
tinha o operário algemado
onde suava o ceifeiro
que dormia com o gado
onde tossia o mineiro
em Aljustrel ajustado
onde morria primeiro
quem nascia desgraçado.
Era uma vez um país
de tal maneira explorado
pelos consórcios fabris
pelo mando acumulado
pelas ideias nazis
pelo dinheiro estragado
pelo dobrar da cerviz
pelo trabalho amarrado
que até hoje já se diz
que nos tempos do passado
se chamava esse país
Portugal suicidado.
Ali nas vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
vivia um povo tão pobre
que partia para a guerra
para encher quem estava podre
de comer a sua terra.
Um povo que era levado
para Angola nos porões
um povo que era tratado
como a arma dos patrões
um povo que era obrigado
a matar por suas mãos
sem saber que um bom soldado
nunca fere os seus irmãos.
Ora passou-se porém
que dentro de um povo escravo
alguém que lhe queria bem
um dia plantou um cravo.
Era a semente da esperança
feita de força e vontade
era ainda uma criança
mas já era a liberdade.
Era já uma promessa
era a força da razão
do coração à cabeça
da cabeça ao coração.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Esses que tinham lutado
a defender um irmão
esses que tinham passado
o horror da solidão
esses que tinham jurado
sobre uma côdea de pão
ver o povo libertado
do terror da opressão.
Não tinham armas é certo
mas tinham toda a razão
quando um homem morre perto
tem de haver distanciação
uma pistola guardada
nas dobras da sua opção
uma bala disparada
contra a sua própria mão
e uma força perseguida
que na escolha do mais forte
faz com que a força da vida
seja maior do que a morte.
Quem o fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
Posta a semente do cravo
começou a floração
do capitão ao soldado
do soldado ao capitão.
Foi então que o povo armado
percebeu qual a razão
porque o povo despojado
lhe punha as armas na mão.
Pois também ele humilhado
em sua própria grandeza
era soldado forçado
contra a pátria portuguesa.
Era preso e exilado
e no seu próprio país
muitas vezes estrangulado
pelos generais senis.
Capitão que não comanda
não pode ficar calado
é o povo que lhe manda
ser capitão revoltado
é o povo que lhe diz
que não ceda e não hesite
- pode nascer um país
do ventre duma chaimite.
Porque a força bem empregue
contra a posição contrária
nunca oprime nem persegue
- é força revolucionária!
Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.
Disse a primeira palavra
na madrugada serena
um poeta que cantava
o povo é quem mais ordena.
E então por vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
desceram homens sem medo
marujos soldados «páras»
que não queriam o degredo
dum povo que se separa.
E chegaram à cidade
onde os monstros se acoitavam
era a hora da verdade
para as hienas que mandavam
a hora da claridade
para os sóis que despontavam
e a hora da vontade
para os homens que lutavam.
Em idas vindas esperas
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras
arrancaram-se as mordaças
e o povo saiu à rua
com sete pedras na mão
e uma pedra de lua
no lugar do coração.
Dizia soldado amigo
meu camarada e irmão
este povo está contigo
nascemos do mesmo chão
trazemos a mesma chama
temos a mesma ração
dormimos na mesma cama
comendo do mesmo pão.
Camarada e meu amigo
soldadinho ou capitão
este povo está contigo
a malta dá-te razão.
Foi esta força sem tiros
de antes quebrar que torcer
esta ausência de suspiros
esta fúria de viver
este mar de vozes livres
sempre a crescer a crescer
que das espingardas fez livros
para aprendermos a ler
que dos canhões fez enxadas
para lavrarmos a terra
e das balas disparadas
apenas o fim da guerra.
Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril
fez Portugal renascer.
E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.
Mesmo que tenha passado
às vezes por mãos estranhas
o poder que ali foi dado
saiu das nossas entranhas.
Saiu das vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
onde um povo se curvava
como um vime de tristeza
sobre um rio onde mirava
a sua própria pobreza.
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe.
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu.
Essas portas que em Caxias
se escancararam de vez
essas janelas vazias
que se encheram outra vez
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez
que espreitavam como espias
todo o povo português.
Agora que já floriu
a esperança na nossa terra
as portas que Abril abriu
nunca mais ninguém as cerra.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
Quando o povo desfilou
nas ruas em procissão
de novo se processou
a própria revolução.
Mas eram olhos as balas
abraços punhais e lanças
enamoradas as alas
dos soldados e crianças.
E o grito que foi ouvido
tantas vezes repetido
dizia que o povo unido
jamais seria vencido.
Contra tudo o que era velho
levantado como um punho
em Maio surgiu vermelho
o cravo do mês de Junho.
E então operários mineiros
pescadores e ganhões
marçanos e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
souberam que o seu dinheiro
era presa dos patrões.
A seu lado também estavam
jornalistas que escreviam
actores que se desdobravam
cientistas que aprendiam
poetas que estrebuchavam
cantores que não se vendiam
mas enquanto estes lutavam
é certo que não sentiam
a fome com que apertavam
os cintos dos que os ouviam.
Porém cantar é ternura
escrever constrói liberdade
e não há coisa mais pura
do que dizer a verdade.
E uns e outros irmanados
na mesma luta de ideais
ambos sectores explorados
ficaram partes iguais.
Entanto não descansavam
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam
silêncios boatos murmúrios
risinhos que se calavam
palácios contra tugúrios
fortunas que levantavam
promessas de maus augúrios
os que em vida se enterravam
por serem falsos e espúrios
maiorais da minoria
que diziam silenciosa
e que em silêncio fazia
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo
e com ordenados régios
o alvor do socialismo
e o fim dos privilégios.
Foi então se bem vos lembro
que sucedeu a vindima
quando pisámos Setembro
a verdade veio acima.
E foi um mosto tão forte
que sabia tanto a Abril
que nem o medo da morte
nos fez voltar ao redil.
Ali ficámos de pé
juntos soldados e povo
para mostrarmos como é
que se faz um país novo.
Ali dissemos não passa!
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça
odeia a quem desgraçou.
Foi a força do Outono
mais forte que a Primavera
que trouxe os homens sem dono
de que o povo estava à espera.
Foi a força dos mineiros
pescadores e ganhões
operários e carpinteiros
empregados dos balcões
mulheres a dias pedreiros
reformados sem pensões
dactilógrafos carteiros
e outras muitas profissões
que deu o poder cimeiro
a quem não queria patrões.
Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
- cumpriu-se a revolução.
Porém em quintas vivendas
palácios e palacetes
os generais com prebendas
caciques e cacetetes
os que montavam cavalos
para caçarem veados
os que davam dois estalos
na cara dos empregados
os que tinham bons amigos
no consórcio dos sabões
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões
os generais subalternos
que aceitavam os patrões
os generais inimigos
os generais garanhões
teciam teias de aranha
e eram mais camaleões
que a lombriga que se amanha
com os próprios cagalhões.
Com generais desta apanha
já não há revoluções.
Por isso o onze de Março
foi um baile de Tartufos
uma alternância de terços
entre ricaços e bufos.
E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.
Fugiram como cobardes
e para terras de Espanha
os que faziam alardes
dos combates em campanha.
E aqui ficaram de pé
capitães de pedra e cal
os homens que na Guiné
aprenderam Portugal.
Os tais homens que sentiram
que um animal racional
opõe àqueles que o firam
consciência nacional.
Os tais homens que souberam
fazer a revolução
porque na guerra entenderam
o que era a libertação.
Os que viram claramente
e com os cinco sentidos
morrer tanta tanta gente
que todos ficaram vivos.
Os tais homens feitos de aço
temperado com a tristeza
que envolveram num abraço
toda a história portuguesa.
Essa história tão bonita
e depois tão maltratada
por quem herdou a desdita
da história colonizada.
Dai ao povo o que é do povo
pois o mar não tem patrões.
- Não havia estado novo
nos poemas de Camões!
Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.
Foi este lado da história
que os capitães descobriram
que ficará na memória
das naus que de Abril partiram
das naves que transportaram
o nosso abraço profundo
aos povos que agora deram
novos países ao mundo.
Por saberem como é
ficaram de pedra e cal
capitães que na Guiné
descobriram Portugal.
E em sua pátria fizeram
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos
que ficarão a render
ao invés dos monopólios
para o trabalho crescer.
Guindastes portos navios
e outras coisas para erguer
antenas centrais e fios
dum país que vai nascer.
Mesmo que seja com frio
é preciso é aquecer
pensar que somos um rio
que vai dar onde quiser
pensar que somos um mar
que nunca mais tem fronteiras
e havemos de navegar
de muitíssimas maneiras.
No Minho com pés de linho
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho
na Beira com requeijão
e trocando agora as voltas
ao vira da produção
no Alentejo bolotas
no Algarve maçapão
vindimas no Alto Douro
tomates em Azeitão
azeite da cor do ouro
que é verde ao pé do Fundão
e fica amarelo puro
nos campos do Baleizão.
Quando a terra for do povo
o povo deita-lhe a mão!
É isto a reforma agrária
em sua própria expressão:
a maneira mais primária
de que nós temos um quinhão
da semente proletária
da nossa revolução.
Quem a fez era soldado
homem novo capitão
mas também tinha a seu lado
muitos homens na prisão.
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
um menino que sorriu
uma porta que se abrisse
um fruto que se expandiu
um pão que se repartisse
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse
e entre vinhas sobredos
vales socalcos searas
serras atalhos veredas
lezírias e praias claras
um povo que levantava
sobre um rio de pobreza
a bandeira em que ondulava
a sua própria grandeza!
De tudo o que Abril abriu
ainda pouco se disse
e só nos faltava agora
que este Abril não se cumprisse.
Só nos faltava que os cães
viessem ferrar o dente
na carne dos capitães
que se arriscaram na frente.
Na frente de todos nós
povo soberano e total
que ao mesmo tempo é a voz
e o braço de Portugal.
Ouvi banqueiros fascistas
agiotas do lazer
latifundiários machistas
balofos verbos de encher
e outras coisas em istas
que não cabe dizer aqui
que aos capitães progressistas
o povo deu o poder!
E se esse poder um dia
o quiser roubar alguém
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe!
Volta à barriga da terra
que em boa hora o pariu
agora ninguém mais cerra
as portas que Abril abriu!

POEMA ARQUIVO RTP

IMAGEM GOOGLE

POR LÍDIA FRADE