A OLIVEIRA DO
TRISAVÔ
Vou escrever um
conto… não o será!
Uma crónica… não
creio, que o seja!...
Mas é de certeza
uma história simples, bonita, ilustrada, da qual eu também faço parte
integrante.
Aqui e agora ao
conta-la! E, em tudo o mais que vos vou mostrar.
Esta é uma
oliveira com alma, podem acreditar no que vos digo!!!
-E, está aqui no
meu quintal, da casinha do Ribatejo!!!
A minha oliveira
não tem bilhete de identidade, nem sequer mandei analisar, a média da sua idade,
mas os oitenta e cinco anos de minha mãe, que todos tratamos de avó Jú, dizem
que deve ter mais de trezentos anos, dado que este terreno já é da família á
quatro gerações, e ELA, a OLIVEIRA, tem o pé, a raiz, que digo até merecer, o
titulo de MILENAR.
Uma boa parte da
minha rua, ou da rua onde está a minha casinha, é da minha família, que se foi
desdobrando na árvore genológica, mas onde somos todos primos ainda, e
herdeiros dos nossos, trisavós.
O meu quintal é
um dos maiores, e, sou sua cuidadora apenas á três anos, antes era do meu pai,
que o fazia á sua maneira, e em relação á sua vida e necessidades.
Já lá vão uns
cinquenta anos, quando eu apanhava a azeitona da oliveira e certamente o meu
trisavô já o faria, sendo ela na sua época uma senhora, com honras centenárias.
Na verdade dava
sempre uma grande quantidade de azeitona, mas, a qualidade era muito miudita,
poderia dizer-se que quando madura e pronta para apanhar, era uma linda árvore
carregada de fruto, sendo no entanto um fruto de pequeno tamanho, e pouco
vistoso.
Meu pai, talvez
uns dez anos atrás, resolveu corta-la pelo pé, e, aproveitar a lenha para a
lareira, era uma grande arvore, e deu de certeza um bom aquecimento para um
grande Inverno.
Contudo o seu
corte foi apenas até cerca de um metro do chão, era um grande e largo pé, mas
todo carcomido por dentro, as suas serras e serrotes, talvez não fossem fortes
o suficiente para continuar, ou então, ficaria naquela altura precisamente
para, poder atar umas cordas, e puxar com um trator, pois só assim a
conseguiria arrancar.
Mas, meu pai
nunca o fez, acabou por adoecer, mais alguns anos faleceu, e, a oliveira do
trisavô ficou no seu lugar do quintal, sua alma ia renovando, ano após ano, por
todo o seu pé enorme iam renascendo, brotando novos rebentos, até por dentro do
seu pé furado, e todo carcomido, empodrecido, renasciam novos rebentos, novas
oliveiras, que, alguém sempre cortava, derrubava, porque aquele pé, era para
arrancar.
Passou algum
tempo, três anos atrás, fui eu a herdeira daquele quintal, primeiro limpando,
tentando renovar e aproveitar o que teria ou seria possível, o tronco da
oliveira do trisavô, foi protegido, alvo a preservar, cortei, podei, limpei,
até deixar o suficiente, para deixar crescer a alma daquela oliveira, apenas tricentenária
pelos laços familiares.
No meio do
buraco carcomido, daquele largo pé, crescia o que poderia vir a ser, uma grande
e frondosa oliveira, deixei ficar, apenas podei os ramos baixos que depois de
podados lhe concedi uma forma ajeitada e elegante, e em toda a volta do pé, fui
retirando o que poderia estar a mais, no arranjo que pretendia dar naquele pé
carcomido de séculos.
Deixei ficar
rodeando o velho pé, mais três árvores, porque já estavam grandes, nesse ano já
floriram e deram azeitonas, tive pena de as cortar, de resto a minha ideia era
criar ali no meu quintal, e junto do meu jardim um espaço de sombra acolhedor,
que pudéssemos gozar em dias calmos, em que a brisa fresca que vem do norte,
num fim de tarde, nos dê o prazer de fazer ali um bom lanche por exemplo.
No início da
Primavera, já comecei a delinear esse mesmo espaço de descanso, as novas
oliveiras, transmissoras de uma alma de vários séculos, já me animaram a
começar o meu trabalho, estão grandes, altas, cheiinhas de frutos que promete uma
boa colheita, estão umas árvores lindas, e já fazem muito boa sombra.
Tinha uma ideia
que fui concretizar, dentro do possível no momento, era servir-me do mesmo
enorme pé da minha oliveira, quiçá milenar, e com a ajuda de uns pedaços de
madeira, de barrotes ou tabuas, recicladas das minhas obras de restauração, dos
espaços cobertos, e com um pouco de habilidade deitei mãos á obra, foi só
comprar um pregos grandes para pregar, e para ajudar na obra, tive o meu neto
Rodrigo de quatro anos, que logo escolheu o seu lugar no pódio, ou no trono,
dos reinantes atuais, do meu quintal e da minha casinha, no Ribatejo.
A obra está
feita, e bem segura, sem oferecer perigo, foi feito por mim, não por um
profissional na área, está com um ar tosco, e possivelmente logo que chegue a
melhor hora, colocarei, ou mandarei fazer melhor e com material mais bonito.
Por agora posso assegurar que já me dá muito gosto, quando chegada a hora, de ir sentar-me ali, nos meus
banquinhos toscos, com o maridão, saborear o lanche, o momento, a frescura da brisa ao
fim do dia, olhando o verde das hortícolas, e o colorido das flores no jardim, ou ainda toda a verdura que nos chega ao olhar, de todos os quintais vizinhos ali pegados.
Asseguro-vos ainda que as minhas visitas, ou as visitas ao meu quintal, todos se querem ir ali
sentar nos meus banquinhos toscos, e até fazer algumas fotos, por ser uns
assentos muito peculiares, e ficam felizes por levar essas recordações
diferentes.
Agora por mim
estou a deixar criar a azeitona e, logo que se apanhe já vou cortar mais alguns
ramos que estão muito baixos, e a ficar pendurados com o peso das azeitonas,
que daqui a três meses, já irei apanhar uma cestinha de azeitonas para pisar e
escaldar para comer-mos, uma iguaria saborosíssimas!!!!
MAS… AINDA VOS
DIGO, A ALMA DA OLIVEIRA ESTÁ BEM VIVA, PRODUTIVA, E VEJO NELA A MINHA
FELICIDADE!!!
QUANTO AO MEU
TRISAVÔ… AINDA CHEGA UM BANQUINHO PARA A ALMA DELE SE SENTAR ALI CONNOSCO, A
DESCANÇAR E EM PAZ!!!
TEXTO LÍDIA
FRADE